quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Vulcão


Outubro, Novembro... Dias, noites... Plantio, colheita... Imersa em trabalho, já não percebo como o tempo voa, tanto que a noite chega e esqueço de olhar para a Lua. Em momento ultra caseiro, reciclando, limpando armários, 'triturando' documentos antigos, doando livros, dando o que não estou usando. Uma atividade feita com prazer, sem pressa... Relembro momentos, pessoas, situações... Percebo o quanto vale a pena guardar cartas, bilhetes, cartões, e-mails dos que tocam, dos que iluminam, dos que provocam, dos que vibram... O que me fez ou faz, sentir!

Algumas preocupações fervilhando e me desafiando a desatar os nós o mais rapidamente possível... Algumas responsabilidades pedindo para serem abrandadas... E um amor que não quer silenciar, que não se perderá, já que nosso tempo não é agora, a ser guardado numa caixinha... Uma questão de tempo, o poderoso tempo!

E o que fazer com alguém que diz me amar, que me extasia, que me adoça, que me acalma, que me contesta, que me desafia, que me deixa furiosa, que tenta minimizar as diferenças e maximizar o que nos aproximou?

Um tempo sozinha para amainar o que tanto insiste em permanecer arraigado em minha alma... Trabalhei o desapego, a vontade incessante... Mesmo que tenha me libertado de sensações provocadas por este louco amor, ainda tenho a sensação de que os dias com ela eram sempre mais coloridos, mais sorridentes, mais leves... Tem manhãs que tenho vontade de ligar e desejar um bom dia, de saber como está, de combinar um café e esquecer as horas... Afinal, depois de ter você, para que querer saber que horas são?

Um comentário:

Lúcia Brito disse...

Que curioso. Ontem à noite tive um momento de saudosismo. E senti essa mesma vontade que você, de ligar e dar oi. Simplesmente poder cultivar o amor na forma de amizade (o que na verdade também não é possível... affff).
Aí dei de cara com a pessoa hoje. E a gente nem se cumprimenta mais... Mas de uma coisa tenho certeza: não há mais dor em mim. Há apenas saudade e uma certa tristeza por não termos conseguido fazer melhor.